quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018


Virás, hoje?

Desejaria estender tapetes de púrpura
E desejaria, em toda a região
Encher de bálsamo extraído de pichéis de ouro
As lâmpadas das flores até acima.

E que todas ardessem o tempo suficiente
Para que, cegos pelo dia vermelho,
Nos reconhecêssemos na noite pálida
E a nossa alma se transformasse em estrela.

Ó generosa, tu dás sonhos às minhas noites, cânticos às minhas manhãs, objectivos aos meus dias e desejos solares aos meus crepúsculos vermelhos. Tu dás sem fim. E eu ajoelho-me e estendo os braços para receber a tua graça. Ó generosa! Sou tudo aquilo que queres. E serei escravo ou rei conforme ralhes ou sorrias. Mas és tu que me fazes ser.

Isto, dir-to-ei muitas vezes, muitas vezes. A minha confissão amadurecerá, cada vez mais simples e nua. E o dia em que tiver conseguido torná-la perfeitamente simples e em que a compreendas perfeitamente, será o primeiro dia do nosso Verão. Que durará mesmo para além dos dias do teu René.

Virás, hoje?

Rainer Maria Rilke, in 'Carta a Lou Andreas-Salomé, 10 de Junho de 1897'

*Mantida a grafia original
Pensamentos valem e vivem pela observação exata ou nova, pela reflexão aguda ou profunda; não menos querem a originalidade, a simplicidade e a graça do dizer.

Machado de Assis
"Não morra vossa mercê, senhor meu, mas tome meu conselho e viva muitos anos, porque a maior loucura que pode cometer um homem nesta vida é deixar-se morrer sem mais nem mais, sem que ninguém o mate nem outras mãos o eliminem que as da melancolia."

(Sancho Pança a Dom Quixote, em seu leito de morte)

Hora do lanche

Acarajé

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Cuidado com o que você deseja... seu desejo pode um dia virar realidade...

Primogênita de Zeus que, aos 9 anos de idade, recebeu de presente de seu pai o colar usado por Prometeu que foi retirado dele ao pagar a sua pena por roubar o fogo dos deuses. Pandora, então, arranjou uma caixa para pôr seu colar, a mesma caixa em que ela guardou a sua mente e as lembranças de seu primeiro namorado, cujo nome era Narciso. A caixa podia apenas guardar bens de todo o tipo, com exceção de bens materiais. Como o colar era um bem material, ele se auto-destruiu. Para Pandora o colar tinha valor sentimental, o que a fez chorar por muitos dias seguidos sem parar. Como a caixa guardava lembranças com a intenção de sempre recordá-las ao "dono", Pandora sempre se sentia triste. Tentou destruir a caixa para ver se ela se esquecia do fato, mas não funcionou, a caixa era fruto de um grande feitiço, que a impedia de ser destruída. Pandora então, aos 36 anos, se matou. Não aguentou viver mais de 27 anos com aquela "maldição".

A lenda dos índios Cherokees

O pai leva o filho para a floresta durante o final da tarde, venda-lhe os olhos e deixa-o sozinho.
O filho se senta sozinho no topo de uma montanha toda a noite e não pode remover a venda até os raios do sol brilharem no dia seguinte.
Ele não pode gritar por socorro para ninguém.
Se ele passar a noite toda lá, será considerado um homem.
Ele não pode contar a experiência aos outros meninos porque cada um deve tornar-se homem do seu próprio modo, enfrentando o medo do desconhecido.
O menino está naturalmente amedrontado.
Ele pode ouvir toda espécie de barulho.
Os animais selvagens podem, naturalmente, estar ao redor dele.
Talvez alguns humanos possam feri-lo.
Os insetos e cobras podem vir picá-lo.
Ele pode estar com frio, fome e sede.
O vento sopra a grama e a terra sacode os tocos, mas ele se senta estoicamente, nunca removendo a venda.
Segundo os Cherokees, este é o único modo dele se tornar um homem.
Finalmente...
Após a noite horrível, o sol aparece e a venda é removida.
Ele então descobre seu pai sentado na montanha perto dele.
Ele estava à noite inteira protegendo seu filho do perigo.

Prato de arroz

"Um sujeito estava colocando flores no túmulo de um parente 
quando vê um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado. 
Vira-se para o chinês e pergunta:
- desculpe-me, mas o senhor acha mesmo que o seu defunto virá comer o arroz?
E o chinês responde:
- Sim, e geralmente na mesma hora que o seu vem cheirar as flores!
 
"Respeitar as opções do outro "em qualquer aspecto" é uma das maiores
virtudes que um ser humano pode ter. As pessoas são diferentes, "agem
diferente" e pensam diferente. Nunca julgue. Apenas compreenda".

"A maneira de fazer é ser".
 
(Lao-Tsé)

"Nada é tão flexível como a língua da mulher, nada é tão pérfido como os seus remorsos, nada é mais terrível do que a sua maldade, nada é mais sensível do que as suas lágrimas".

 Plutarco

"Quando escrito em chinês a palavra crise compõe-se de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade". 

John Kennedy

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018


Andar de manhã

Durante as duas últimas semanas tenho começado os meus dias cometendo um furto. Não sei como evitar esse pecado e, para dizer a verdade, não quero evitá-lo. A culpa é de uma amoeira que, desobedecendo as ordens do muro que a cerca, lançou seus galhos sobre a calçada. Não satisfeita, encheu-os de gordas amoras pretas, apetitosas, tentadoras, ao alcance de minha mão. Parece que os frutos são, por vocação, convites a furtos: basta mudar a ordem de uma única letra… Penso que o caso da amoreira comprova esta tese linguística: tudo tem a ver com o nome. Pois amora é a palavra que, se repetida muitas vezes, amoramoramoramora, vira amor. Pois não é isso que é o amor? Um desejo de comer, um desejo de ser comido… O muro, tal como o mandamento, diz que é proibido. Mas o amor não se contém e, travestido de amora, salta por cima da proibição. Foi assim no Paraíso… Os poucos transeuntes que passam por ali àquela hora da manhã talvez se espantem ao ver um homem de cabelos brancos colhendo amoras proibidas. Mas, se prestarem bem atenção, verão que quem está ali não é um homem com cerca de 70 anos, é um menino. E como o próprio filho de Deus que disse que é preciso voltar a ser menino para entrar no Reino dos Céus, colho e como as amoras com convicção redobrada. E para que não pairem dúvidas sobre a inspiração teologal do meu ato, enquanto mastigo e o caldo roxo me suja dedos e boca, vou repetindo as palavras sagradas: “Tomai e bebei, este é o meu sangue…”. Ah! A divina amora, graciosa dádiva sacramental! Começo assim meu dia, furtando o fruto mágico que opera o milagre por todos sonhado de voltar a ser criança.

Assim revigorado no corpo e na alma por esse maná divino caído dos céus, prossigo na minha caminhada matutina. Ando não mais que 50 passos e estou sob uma longa alameda de pinheiros. Neles, não há nenhuma fruta que eu possa roubar, pois nada produzem que possa ser comido. Pinheiros não são para boca. São dádivas aos olhos. É cedo ainda. O sol acabado de nascer ilumina suas espículas verdes, que brilham como agulhas de cristal. Lembro-me de Le Corbusier, que dizia que “as alegrias essenciais são o sol, o espaço, e verde”. Mas os pinheiros sabem mais que o arquiteto, e às alegrias da luz acrescentam as alegrias do cheiro. Respiro fundo e sinto o perfume de resina.

Se me perguntarem no que penso, respondo com um verso Tao: “O barulho da água diz o que eu penso”. Penso as amoras, penso os pinheiros, penso a luz do sol, penso no cheiro da resina.

É tempo da floração das sibipirunas. Verdes e amarelas, elas cresceram dos dois lados da rua onde ando, transformando-a num longo túnel sombrio. Durante a noite, suas flores caíram, cobrindo a calçada e transformando-a num tapete dourado. Desço da calçada e ando no asfalto para não pisá-las. Lembro-me da voz misteriosa que falou a Moisés, de dentro da sarça que ardia: “Tira as sandálias dos teus pés, pois o chão onde pisas é santo”.

Para contemplar esse espetáculo, é necessário levantar cedo, pois logo as donas de casa e suas vassouras tratarão de restaurar no cimento a sua fria limpeza. Isso me dói, e com a dor vem o pensamento. Pergunto-me sobre a educação perversa que fez com que as pessoas se tornassem cegas para a beleza generosa das árvores, tratando suas folhas como se fossem sujeira. Mas as sibipirunas, indiferentes à cegueira dos homens e das vassouras repetirão o milagre durante a noite. Amanhã as calçadas estarão de novo cobertas de ouro.

Caminho um pouco mais e chego ao Bosque dos Alemães. Espera-me ali um outro deleite, o deleite dos ouvidos: há uma infinidade de cantos de pássaros que se misturam ao barulho das folhas sopradas pelo vento. Não estou sozinho. Fazem-me companhia muitas outras pessoas, entregues ao exercício matutino do andar e do correr. Estão ali por medo de morrer antes da hora. É preciso exercitar o coração. Mas parece que é só isso que exercitam. Pois, por mais que me esforce, não consigo perceber em seus rostos sinais de que estejam exercitando também o deleite dos olhos, do nariz ou dos ouvidos. Correm e caminham com olhos fixos no chão, graves e concentradas, compelidas pelas necessidades médicas. E, por causa disso, por não saberem ver e ouvir, não se dão conta de um comovente caso de amor que ali se desenrola.

Percebi o romance faz muito tempo, quando ouvi os gemidos que me vinham do alto. Lá em cima, longe dos olhares indiscretos, um gigantesco eucalipto e uma árvore de rolha se abraçam. Seus galhos entrelaçados revelam o amor dos namorados. Acho que fazem amor, pois quando o vento sopra fazendo suas cascas se esfregarem uma na outra, elas gemem de prazer… e dor.

Ando toda manhã. Por razões médicas, é bem verdade. Mas, mesmo que não existissem, andaria da mesma forma, pelos pensamentos leves e alegres que a natureza me faz pensar. Boa psicanalista é a natureza, sem nada cobrar, pelos sonhos de amor que nos faz sonhar.

Rubem Alves, no livro “As melhores crônicas de Rubem Alves”
"A maior desgraça de uma nação pobre é que, em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados."

Versículo dia dia

"Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade e fidelidade."

 Gálatas 5:22

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Arqueólogos encontram cervejaria de 4500 anos no Egito

Pesquisadores da Universidade de Chicago encontraram evidências de um estabelecimento para produzir de cerveja e pão no Egito. A descoberta foi feita na cidade de Tell Edfu, próxima à cidade do Cairo, e data 2.500 a 2.400 a.C. – período do Antigo Império do Egito e da construção das pirâmides.

Tell Edfu vem sendo explorada por arqueólogos há 16 anos. Mas só no fim de 2017 foi encontrado um complexo de construções erguido pelos primeiros egípcios a ocupar a cidade. O complexo consiste em dois edifícios feitos de tijolos de barro, cercados de pátios e oficinas. Vasos e outros artefatos sugerem que o local era usado para produzir pão e cerveja. E fundir cobre.

Jarro encontrado no sítio arqueológico de Tell Edfu
Em sítio arqueológico de Tell Edfu, arqueólogos também encontraram evidências de produção de pães.

Padaria e cervejaria num só lugar faz todo o sentido. A cerveja surgiu no fim da Pré-História, com o começo da produção de cereais, na Revolução do Neolítico, ou talvez até antes. Era um jeito de preservar trigo e cevada, e era mais alimento que diversão. No Egito, era tão importante que era parte da ração diária dada aos construtores das pirâmides – 4 litros por dia.

“É uma descoberta maravilhosa, pois temos pouca informação sobre esse período de assentamentos nas províncias do sul”, afirma o professor Nadine Moeller, arqueólogo que co-liderou a escavação. “Não conhecemos nenhum outro complexo parecido do Antigo Império”, afirma.

No local, também foram encontrados nomes de oficiais inscritos em hieróglifo no piso, conchas do Mar Vermelho e cerâmicas da Núbia.

Os arqueólogos levantaram a hipótese de que o complexo abrigava oficiais responsáveis por supervisionar a exploração de metais preciosos no leste do Saara e consideram que Tell Edfu era um ponto de partida para as expedições egípcias para o leste da região, durante os governos da quarta e da quinta dinastia do Egito.

Fonte: Aventuras na história

Créditos: Aventuras na história
Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado.

O silêncio



"Bergen-Belsen, Dachau, Treblinka, Buchenwald, Auschwitz-Birkenau. Cinco nomes que todos conhecemos e que identificam, na Europa, o pior do que o homem é capaz. Mas havia mais, muitos mais construídos pelos nazis entre campos de concentração, subcampos e campos de passagem, uma viagem de suplício para milhões de pessoas e uma das histórias europeias mais negras de sempre. “Nunca mais” prometeram os alemães depois da guerra e a promessa pode aplicar-se a tudo – à guerra, ao extermínio, à destruição, a perseguições lançadas cirurgicamente sobre os outros. Conhecemos os nomes dos campos, vemos os filmes, seguimos as séries de televisão, lemos os livros que contam o mesmo horror. Olhando para a Europa de hoje, não é nada certo que tenhamos aprendido a lição. Talvez seja também por isso que cada uma das viagens papais a Auschwitz continue a ser classificada como “histórica”. João Paulo II esteve aqui em junho de 1979, Bento XVI em maio de 2006, ontem veio Francisco. Há 37 anos, o papa polaco pediu o fim da guerra em Auschwitz e o papa alemão questionou o silêncio de Deus perante tanto sofrimento. Nesta sexta-feira, o papa argentino pediu o perdão divino para tanta crueldade. Mesmo antes de passar os portões, Francisco disse aos jornalistas que gostaria de ir àquele lugar do horror sem discursos nem multidões. Queria entrar sozinho e rezar. E que lhe fosse dada “a Graça de chorar”. Há qualquer coisa que muda quando se passa para o outro lado do arame farpado. Em Buchenwald, lê-se ainda sobre os portões “Jedem dem Seine”, a cada um aquilo que merece, palavras mais cínicas ainda do que aquelas que se continuam a ler em Auschwitz (o trabalho liberta). Talvez seja o vento, o lugar vazio e agora raso onde antes se erguiam as camaratas dos prisioneiros, a terra seca onde não se vê crescer uma única erva, as chaminés ao longe que não precisam de legenda. Pelo menos uma vez na vida devemos passar pelos portões silenciosos de Auschwitz, Buchenwald ou Treblinka. Não há nada para ver, mas tudo para sentir.”

Carta de Abraham Lincoln aos professores



“Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas, por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, que, para cada egoísta, há também um líder dedicado.

Ensine-lhe, por favor, que para cada inimigo haverá também um amigo. Ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada.

Ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória; afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso.

Faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales. Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa.

Ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.

Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros.

Ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.

Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho.

Ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que, por vezes, os homens também choram.

Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar sozinho contra todos, se ele achar que tem razão.

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço.

Deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

E transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.”


Abraham Lincoln, 1830.

Advogado e político, Lincoln foi 16º Presidente dos EUA – 1861-1865.